Origem Ranking da Desgraça Filmes de Halloween: qual deixou o maior rastro de destruição de Michael Myers?
Ranking da Desgraça

Filmes de Halloween: qual deixou o maior rastro de destruição de Michael Myers?

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Filmes de Halloween Michael Myers in Halloween 1978
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Existem várias maneiras civilizadas de organizar os filmes de Halloween. Dá para discutir qual é o melhor, qual envelheceu pior, qual tem o Michael Myers mais assustador e qual timeline exige um quadro branco, barbante vermelho e uma pós-graduação em continuidade cinematográfica.

Aqui não.

O Terror Chiclete resolveu fazer uma pergunta mais útil: quando Michael Myers termina o expediente, quanto estrago sobra para todo mundo que teve o azar de continuar vivo?

Porque contar cadáver é fácil. O sujeito entra, alguém toma uma decisão questionável, a máscara aparece no fundo do corredor e pronto: o IML ganha mais uma tarefa.

Só que Michael não trabalha apenas com morte.

Ele deixa sobrevivente passando décadas olhando pela janela. Deixa família criando filho dentro de trauma antigo. Deixa criança herdando problema que começou antes de ela nascer. Deixa hospital parecendo extensão de cena do crime e cidade inteira descobrindo que medo coletivo não costuma produzir decisões especialmente brilhantes.

E aquela máscara branca ajuda bastante no expediente. Se você já se perguntou por que justamente aquele rosto vazio virou praticamente a assinatura visual do personagem, temos um problema inteiro para abrir em Por que Michael Myers usa máscara? . Porque aparentemente cometer atrocidades em silêncio não era suficiente. Precisava existir identidade visual.

Tem filme em que Michael mata relativamente pouco e ainda assim consegue estragar quarenta anos da vida de alguém. Tem filme em que ele praticamente transforma Haddonfield numa zona de calamidade pública. E tem filme em que a coisa fica ainda pior: Michael nem precisa estar presente para as pessoas começarem a destruir umas às outras por causa dele.

A regra da desgraça

Isto não é um ranking dos melhores filmes de Halloween

Qualidade cinematográfica não dá ponto aqui. O que conta é o tamanho do prejuízo deixado por Michael Myers: corpos, trauma, caos coletivo, domínio da situação e aquilo que continua apodrecendo depois dos créditos. Um filme pode ser ótimo e terminar abaixo. Outro pode dividir completamente os fãs e ainda deixar Haddonfield emocionalmente interditada.

A franquia tem um intruso nesta conta: Halloween 3 — A Noite das Bruxas . O terceiro filme abandona Michael Myers para seguir outro pesadelo. Como seria um pouco injusto responsabilizar o homem por uma tragédia na qual ele nem bateu ponto, este ranking fica com os 12 filmes em que Michael participa diretamente da desgraça.

E sim, existe outro pequeno problema: continuidade.

Tem sequência que ignora sequência, parentesco que existe numa realidade e desaparece em outra, uma versão própria de Rob Zombie e uma trilogia moderna que volta para 1978 e resolve que boa parte da bagunça ocorrida depois simplesmente não aconteceu.

O site oficial da franquia reúne os diferentes capítulos dessa árvore genealógica possuída. Ajuda. Não resolve. Mas também estamos falando de uma franquia em que tentar matar Michael Myers definitivamente já virou praticamente atividade recreativa.

Para este ranking, a timeline só importa quando ajuda a responder à pergunta principal: quanto dano aquela versão de Michael conseguiu deixar para trás?

E se a sua relação com Michael já chegou naquele ponto em que você se irrita porque o sujeito não explica intenção, motivação, plano de carreira nem absolutamente nada, isso também merece uma conversa própria: Michael Myers e a arte criminosa de não explicar nada . O homem construiu uma carreira inteira em cima de silêncio, respiração pesada e péssima comunicação interpessoal.

Spoilers pesados

Para calcular o estrago, precisamos olhar o cadáver

Este ranking comenta mortes, finais, sobreviventes e consequências dos filmes. Se você ainda está fazendo a maratona, considere este o momento em que alguém olha para você e diz: não entra nesse porão.

Como funciona o Laudo de Estrago Myers

Para impedir que isto vire apenas “eu gosto mais desse filme”, cada entrada recebe um Laudo de Estrago Myers.

São cinco critérios de 0 a 10. Quanto maior a barra, maior a desgraça. E essa distinção importa porque Michael trabalha em vários departamentos: ele pode deixar mais corpos, mais trauma, mais caos ou simplesmente uma sensação tão persistente de ameaça que o filme termina e ninguém parece realmente ter escapado.

Manual do estrago

O que Michael precisa destruir para subir neste ranking

Rastro de corpos

Quanto a passagem de Michael deixa gente definitivamente fora do grupo da família.

Trauma que ficou

Porque continuar respirando e sair emocionalmente inteiro são departamentos completamente diferentes.

Caos ao redor

Quanto o problema deixa de ser pessoal e começa a contaminar família, hospital, bairro ou Haddonfield inteira.

Michael sem freio

Quanto ele opera sem supervisão eficiente da polícia, medicina, física, bom senso ou qualquer entidade superior disponível.

Dano pós-créditos

Quanto aquilo continua contaminando pessoas e histórias muito depois da última cena.

Michael não precisa matar todo mundo. Às vezes basta garantir que ninguém volte a dormir direito.

Ranking rápido: do estrago localizado à calamidade pública

Antes de abrir os laudos completos, aqui está a cena do crime organizada.

Ranking da Desgraça

Os 12 rastros de destruição de Michael Myers

12
Halloween H20 — 20 Anos Depois O trauma mudou de endereço. Michael atualizou o cadastro.
11
Halloween — Ressurreição Reality show na casa dos Myers. Nenhum adulto impediu.
10
Halloween 5 — A Vingança de Michael Myers Jamie precisava de infância. Recebeu outra perseguição.
09
Halloween 6 — A Última Vingança O problema ganhou culto, burocracia e horas extras.
08
Halloween 4 — O Retorno de Michael Myers Emergência municipal usando máscara branca.
07
Halloween — A Noite do Terror Poucos corpos. Décadas de dano colateral.
06
Halloween 2 (2009) Sobreviver aconteceu. Ficar bem não.
05
Halloween 2 — O Pesadelo Continua Hospital seguro era apenas uma hipótese.
04
Halloween — O Início Terapia familiar teria saído mais barato.
03
Halloween Ends — O Acerto de Contas Final Michael aparece menos. O estrago aprendeu a andar sozinho.
02
Halloween (2018) Uma noite. Quarenta anos. Três gerações pagando a conta.
01
Halloween Kills — O Terror Continua Quando um homem vira crise de saúde pública.

#12 — Halloween H20 — 20 Anos Depois (1998)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween H20 — 20 Anos Depois

Existe um tipo específico de arrogância em acreditar que mudar de cidade, nome e rotina vai impedir um trauma de continuar ocupando espaço dentro de você.

Laurie Strode tentou.

Vinte anos depois daquela noite, ela construiu uma vida inteira longe de Haddonfield. O corpo seguiu em frente. O sistema nervoso, nem tanto.

Laurie bebe, vigia, desconfia e espera. O passado não está atrás dela. Está sentado no banco do passageiro.

Quando Michael retorna, a carnificina é relativamente concentrada para os padrões desta lista. Não temos a cidade inteira derretendo, uma multidão enlouquecida ou dezenas de vítimas. Mas talvez essa nem seja a grande destruição de H20.

Michael prova que vinte anos não foram suficientes para tornar 1978 passado.

Laudo de Estrago Myers

Trauma com endereço atualizado

Rastro de corpos
4/10
Trauma que ficou
8/10
Caos ao redor
4/10
Michael sem freio
5/10
Dano pós-créditos
8/10

Índice de Estrago Myers — 5,8/10 Saldo da Desgraça: pouca destruição coletiva. Vinte anos de juros emocionais cobrados diretamente de Laurie.

Michael não encontrou Laurie. O trauma nunca perdeu o endereço.

#11 — Halloween — Ressurreição (2002)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween — Ressurreição de 2002

Depois de décadas de assassinatos, desaparecimentos e pessoas olhando para a casa dos Myers como quem olha para um buraco negro imobiliário, alguém teve uma ideia.

Vamos fazer um reality show lá dentro.

Sim.

Adultos participaram de reuniões. Um orçamento provavelmente foi aprovado. Equipamentos foram comprados. Jovens foram recrutados. E ninguém levantou a mão para perguntar se transformar a residência de Michael Myers em conteúdo talvez tivesse pequenos problemas de segurança.

A própria página oficial de Halloween — Ressurreição parte de um evento transmitido pela internet dentro da casa de infância de Michael Myers.

Basicamente, Michael encontra um serviço de delivery funcionando dentro da própria casa.

O estrago fica concentrado naquele grupo e naquele espaço, por isso não sobe tanto neste ranking. Mas transformar o habitat natural de Michael Myers em entretenimento continua sendo uma maneira admiravelmente eficiente de preencher documentação de óbito.

Laudo de Estrago Myers

Conteúdo exclusivo diretamente da cena do crime

Rastro de corpos
6/10
Trauma que ficou
7/10
Caos ao redor
5/10
Michael sem freio
6/10
Dano pós-créditos
6/10

Índice de Estrago Myers — 6,0/10 Saldo da Desgraça: transformar a casa de Michael Myers em entretenimento parecia uma ideia ruim. A investigação confirmou.

Influencer house. Pequeno detalhe: o proprietário voltou.

#10 — Halloween 5 — A Vingança de Michael Myers (1989)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween 5 — A Vingança de Michael Myers

Jamie Lloyd já chega a este filme com a infância emocionalmente demolida. Ela não está descobrindo Michael Myers. Está tentando existir depois dele.

Seria razoável imaginar que, depois dos acontecimentos anteriores, alguém finalmente dissesse: “essa criança já participou o suficiente da franquia”.

O universo discorda.

Jamie vira o centro de outra perseguição e continua pagando por uma herança familiar que jamais escolheu receber.

É quase um programa de fidelidade do trauma: sobreviva a uma experiência aterrorizante, acumule pontos e desbloqueie outra no Halloween seguinte.

Por isso o estrago aqui pesa muito mais sobre Jamie do que sobre Haddonfield inteira. A carnificina existe, mas o que realmente incomoda é a insistência da experiência em não permitir que uma criança volte a ser apenas uma criança.

Laudo de Estrago Myers

Infância oficialmente interditada

Rastro de corpos
6/10
Trauma que ficou
9/10
Caos ao redor
6/10
Michael sem freio
7/10
Dano pós-créditos
6/10

Índice de Estrago Myers — 6,8/10 Saldo da Desgraça: Jamie precisava de proteção. Recebeu renovação automática do pacote Michael Myers.

Infância cancelada por motivos de parentesco.

#9 — Halloween 6 — A Última Vingança (1995)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween 6 — A Última Vingança

Chega um momento em toda família problemática em que o segredo fica tão grande que alguém precisa abrir uma planilha.

Em Halloween 6, a desgraça ganha burocracia.

Tem culto, conspiração, passado contaminado e gente tentando construir uma explicação organizada em torno de Michael Myers como se “homem silencioso que insiste em matar parentes” tivesse ficado simples demais.

Michael continua fazendo o que sempre fez. Quem trabalha horas extras é o universo ao redor dele.

O dano físico é alto, o familiar é pior e ainda existe a sensação de que todo mundo está herdando problemas que alguém deveria ter interrompido várias continuações atrás.

O filme tenta explicar o mal. O mal agradece a atenção e continua trabalhando.

Laudo de Estrago Myers

O mal ganhou departamento administrativo

Rastro de corpos
7/10
Trauma que ficou
8/10
Caos ao redor
7/10
Michael sem freio
7/10
Dano pós-créditos
7/10

Índice de Estrago Myers — 7,2/10 Saldo da Desgraça: o mal ganhou lore, culto e burocracia. A terapia perdeu a licitação.

#8 — Halloween 4 — O Retorno de Michael Myers (1988)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween 4 — O Retorno de Michael Myers

O título avisa. Michael voltou.

E ele não está interessado numa reaparição discreta.

Aqui o problema cresce para além de corredores, quartos e algumas casas. A cidade percebe que Michael está solto, polícia e moradores tentam reagir e rapidamente descobrem que saber da existência da ameaça não significa ter competência para resolver a ameaça.

Haddonfield está oficialmente em modo “alguém faça alguma coisa”. O problema é descobrir quem.

No centro está Jamie, outra criança colocada numa herança familiar que deveria vir acompanhada de advogado, terapeuta e possibilidade de recusar o sobrenome.

E então vem o final. Porque o verdadeiro estrago de Michael não é apenas aquilo que ele faz com uma faca. É a possibilidade de deixar alguma coisa nas pessoas que sobreviveram.

O horror deixa de ser apenas perseguição. Vira herança.

Laudo de Estrago Myers

Emergência municipal usando macacão

Rastro de corpos
7/10
Trauma que ficou
9/10
Caos ao redor
7/10
Michael sem freio
8/10
Dano pós-créditos
7/10

Índice de Estrago Myers — 7,6/10 Saldo da Desgraça: Michael não voltou para Haddonfield. Reintegrou posse da desgraça.

#7 — Halloween — A Noite do Terror (1978)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween — A Noite do Terror de 1978

É aqui que quantidade e estrago param de ser a mesma coisa.

O Michael de 1978 é quase econômico. Ele não precisa explodir Haddonfield, derrubar dezenas de pessoas ou transformar uma instituição inteira numa cena de massacre.

Ele trabalha no detalhe.

Uma rua residencial. Algumas casas. Adolescentes vivendo uma noite comum. Laurie fazendo trabalho de babá. Uma figura que aparece longe demais para ser confrontada e perto demais para ser ignorada.

E é justamente aí que o estrago cola.

Michael invade a parte mais banal da vida. A casa não é segura. A rua não é segura. A distância entre “está tudo bem” e “tem alguém dentro da minha casa” passa a caber em alguns minutos.

E o personagem fica ainda mais incômodo porque se recusa a entregar uma explicação confortável. Não existe uma grande conversa em que Michael senta, abre o coração e ajuda todo mundo a fechar o diagnóstico. Essa ausência de resposta é justamente o centro de Michael Myers e a arte criminosa de não explicar nada .

Laurie sobrevive. Mas sobreviver vira a primeira etapa de um problema que pode durar décadas.

Uma única noite consegue virar referência emocional para tudo que vem depois. Poucos corpos. Retorno sobre investimento traumático completamente fora de controle.

Laudo de Estrago Myers

Poucos corpos. Dano emocional em escala industrial.

Rastro de corpos
4/10
Trauma que ficou
10/10
Caos ao redor
7/10
Michael sem freio
8/10
Dano pós-créditos
10/10

Índice de Estrago Myers — 7,8/10 Saldo da Desgraça: Michael matou algumas pessoas. O resto da franquia nasceu do que ele deixou vivo.

Sobreviver ao Michael Myers é uma vitória médica. Emocionalmente, precisamos conversar.

#6 — Halloween 2 (2009)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween 2 de 2009

O segundo Halloween de Rob Zombie entende uma coisa especialmente desagradável: a ambulância chegar não significa que o horror acabou.

Laurie está viva.

Tecnicamente.

Só que “viva” é praticamente o único diagnóstico otimista disponível.

O que Michael deixou começa a aparecer em pesadelos, raiva, identidade, relações e numa incapacidade quase física de voltar ao mundo anterior.

Porque não existe mundo anterior.

Michael continua enorme, brutal e presente, mas uma parte importante da destruição já não depende da faca.

Está instalada.

Laurie, Annie e as pessoas ao redor parecem continuar existindo dentro das consequências da experiência anterior. Até os momentos cotidianos carregam alguma coisa quebrada.

É o filme deste ranking em que “sobrevivente” mais parece uma descrição burocrática.

Laudo de Estrago Myers

Sistema nervoso em aviso prévio

Rastro de corpos
8/10
Trauma que ficou
10/10
Caos ao redor
7/10
Michael sem freio
9/10
Dano pós-créditos
7/10

Índice de Estrago Myers — 8,2/10 Saldo da Desgraça: corpo vivo. Sistema nervoso solicitou desligamento imediato.

#5 — Halloween 2 — O Pesadelo Continua (1981)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween 2 — O Pesadelo Continua de 1981

Laurie acabou de sobreviver à pior noite da vida e vai para um hospital.

Finalmente.

Médicos. Enfermeiros. Estrutura. Segurança.

Agora ela pode descansar.

HAHA.

Michael simplesmente transforma o lugar feito para remendar gente ferida numa extensão da noite anterior.

Existe alguma coisa particularmente cruel nisso.

Casa não protegeu. Polícia não resolveu. Distância não resolveu. Agora nem o hospital consegue funcionar como fronteira entre Laurie e aquilo que está atrás dela.

E tudo acontece praticamente sem espaço emocional entre uma experiência e outra.

Laurie não ganha semana de descanso. Não tem meses para processar. Não consegue chegar naquela etapa em que alguém pergunta “e como você está se sentindo?”.

Michael simplesmente continua a conversa.

Laudo de Estrago Myers

Atendimento de emergência para a própria emergência

Rastro de corpos
8/10
Trauma que ficou
9/10
Caos ao redor
8/10
Michael sem freio
9/10
Dano pós-créditos
8/10

Índice de Estrago Myers — 8,4/10 Saldo da Desgraça: plano de saúde não cobre irmão homicida invadindo o hospital.

#4 — Halloween — O Início (2007)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween — O Início de 2007

A versão de Rob Zombie faz uma coisa muito diferente com o estrago.

Ela começa antes.

O ambiente familiar de Michael já chega emocionalmente insalubre antes que aquela máscara branca vire uniforme de trabalho.

Existe violência, humilhação, descontrole e uma casa onde ninguém parece particularmente equipado para interromper nada antes que tudo fique irreversível.

Então Michael cresce.

E cresce MUITO.

Quando ele retorna, a ameaça deixa de ter apenas aquela qualidade silenciosa e quase abstrata do original. Existe peso. Existe brutalidade. Existe a impressão física de que aquele homem atravessa pessoas porque obstáculos são apenas uma sugestão arquitetônica.

O rastro é grande porque o filme junta dois níveis diferentes de desgraça: aquilo que ajudou a formar o ambiente em que Michael cresceu e aquilo que Michael depois devolve ao mundo multiplicado.

Não significa que a infância explique ou desculpe o que ele se torna.

Significa apenas que nesta versão a casa já estava pegando fogo emocionalmente antes de alguém entregar o fósforo definitivo.

Laudo de Estrago Myers

Terapia familiar teria sido mais barata

Rastro de corpos
9/10
Trauma que ficou
9/10
Caos ao redor
8/10
Michael sem freio
9/10
Dano pós-créditos
8/10

Índice de Estrago Myers — 8,6/10 Saldo da Desgraça: o monstro voltou para casa. A casa já tinha colaborado bastante.

#3 — Halloween Ends — O Acerto de Contas Final (2022)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween Ends — O Acerto de Contas Final

Esta é a posição mais estranha do ranking porque Michael aparece menos.

E mesmo assim está em quase todo lugar.

Quatro anos depois, Haddonfield não parece uma cidade que superou alguma coisa. Parece uma cidade que aprendeu a respirar dentro dela.

Tem ressentimento. Tem medo. Tem culpa. Tem necessidade de apontar alguém e dizer “foi você”.

Michael deixou de ser apenas uma pessoa escondida em algum lugar.

Virou clima.

A própria página oficial de Halloween Ends parte desse mundo posterior à carnificina, quando Laurie tenta construir alguma coisa que se pareça com vida depois de décadas orbitando Michael Myers.

Corey é fundamental para entender por que este filme entra tão alto. O mal começa a se reproduzir sem depender da presença constante de Michael. A comunidade fabrica humilhação, violência e novas tragédias usando o trauma antigo como matéria-prima.

Quando um sujeito consegue desaparecer por anos e continuar organizando emocionalmente a vida de uma cidade, ele deixou de ser apenas um assassino.

Virou infraestrutura do trauma.

Laudo de Estrago Myers

O monstro já não precisa estar na sala

Rastro de corpos
7/10
Trauma que ficou
10/10
Caos ao redor
10/10
Michael sem freio
7/10
Dano pós-créditos
10/10

Índice de Estrago Myers — 8,8/10 Saldo da Desgraça: Michael matou menos pessoalmente. Haddonfield aprendeu a continuar o serviço sem supervisão.

Quando o monstro vira método, estar presente passa a ser opcional.

#2 — Halloween (2018)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween de 2018 com Michael Myers

Esta timeline faz uma escolha especialmente cruel: ignora praticamente tudo que veio depois do original e liga 2018 diretamente a 1978.

Isso significa que Laurie não passou quarenta anos sobrevivendo a cinco ou seis reencontros com Michael.

Ela passou quarenta anos sobrevivendo a uma noite.

Pensa nisso.

Uma noite foi suficiente para reorganizar uma vida inteira.

Laurie transformou trauma em arquitetura. Tem armas, treinamento, estratégias, isolamento e uma casa construída quase como extensão física do medo de que Michael poderia retornar.

Só que trauma raramente aceita ficar sentado no quarto de quem recebeu.

A filha cresceu dentro daquela preparação. A relação entre as duas foi deformada por ela. Allyson entra numa família em que Michael Myers já existia antes de ela existir.

Então ele volta.

E aquilo que parecia paranoia vira previsão do tempo.

Michael começa uma nova passagem por Haddonfield e o trauma que já atravessava gerações recebe atualização presencial.

O que leva 2018 quase ao topo é justamente isso: o dano não começa quando Michael escapa. Ele já estava lá havia quarenta anos.

Laudo de Estrago Myers

Trauma geracional — pacote família

Rastro de corpos
9/10
Trauma que ficou
10/10
Caos ao redor
9/10
Michael sem freio
9/10
Dano pós-créditos
9/10

Índice de Estrago Myers — 9,2/10 Saldo da Desgraça: Laurie teve quarenta anos para preparar a casa. Michael já tinha preparado a família inteira.

#1 — Halloween Kills — O Terror Continua (2021)

Filmes de Halloween: cartaz de Halloween Kills — O Terror Continua

Aqui termina a discussão.

Não porque seja o melhor filme de Halloween.

Essa nunca foi a pergunta.

Ele está em primeiro porque nenhum outro capítulo transforma o rastro de Michael Myers numa catástrofe tão coletiva.

Michael está particularmente produtivo. A passagem pelos bombeiros já avisa que qualquer esperança de uma noite administrável foi oficialmente cancelada.

Ele mata.

Mata mais.

E quando parece que o estrago físico já deveria ser suficiente para ocupar o departamento inteiro de desgraça, Haddonfield decide colaborar.

A cidade entra em combustão emocional.

Pessoas marcadas pelos eventos do passado se reúnem. O medo ganha discurso, movimento, multidão e a certeza perigosa de que finalmente existe uma oportunidade de encerrar tudo.

A página oficial de Halloween Kills parte justamente dessa mobilização de sobreviventes contra Michael. O detalhe delicioso é que trauma coletivo com adrenalina e pouca supervisão não é exatamente conhecido pela excelência nas tomadas de decisão.

Michael começa a dominar o filme mesmo quando não está no quadro.

Todo mundo corre por causa dele. Todo mundo reage por causa dele. Todo mundo começa a piorar a situação por causa dele.

E o episódio do hospital torna o estrago ainda mais venenoso. O pânico da cidade cria sua própria vítima. Michael nem precisa encostar nela.

Quando uma comunidade inteira começa a produzir morte apenas pelo medo da possibilidade de que o assassino esteja perto, a desgraça saiu definitivamente do campo individual.

Depois vem a tentativa coletiva de eliminar Michael.

Cercam o homem. Derrubam. Batem. Atacam. Acreditam que finalmente acabou.

Michael interpreta tudo aquilo como intervalo comercial.

E volta.

É exatamente por isso que Halloween Kills recebe a pontuação máxima.

Há morte. Há trauma. Há família novamente atingida. Há uma cidade inteira perdendo a capacidade de pensar direito. E há consequências que continuam contaminando Haddonfield muito depois daquele Halloween.

Michael não deixa apenas vítimas.

Ele deixa um ecossistema funcionando ao redor do medo dele.

Laudo de Estrago Myers

Calamidade pública com máscara branca

Rastro de corpos
10/10
Trauma que ficou
10/10
Caos ao redor
10/10
Michael sem freio
10/10
Dano pós-créditos
10/10

Índice de Estrago Myers — 10/10 Saldo da Desgraça: Michael não atacou Haddonfield. Conseguiu fazer Haddonfield atacar a si mesma.

01

Campeão da desgraça

Halloween Kills — O Terror Continua

Em outros filmes, Michael Myers destrói pessoas. Aqui ele destrói também a capacidade de uma cidade inteira reagir ao medo sem piorar a situação. Parabéns aos envolvidos. Horrível.

O maior estrago de Michael Myers não é a faca

Talvez seja isso que fique mais evidente quando os filmes são organizados por dano em vez de qualidade.

A faca resolve o problema imediato.

O que realmente faz Michael durar é aquilo que acontece depois.

Laurie olha pela janela. Jamie herda a violência. Famílias inteiras passam a existir ao redor da expectativa de que ele volte. Haddonfield transforma medo em comportamento coletivo.

E cada tentativa de encerrar a história parece encontrar uma nova maneira de provar que “acabou” é uma palavra particularmente otimista nessa franquia.

É por isso que o Michael de 1978 consegue pontuar tanto sem precisar da maior pilha de cadáveres.

Ele cria a ferida.

Os filmes seguintes passam décadas mexendo nela.

Em 2018, o trauma já atravessou gerações. Em Halloween Kills, atravessou a cidade. Em Halloween Ends, existe praticamente como uma linguagem que as pessoas aprenderam a reproduzir.

No fim, parte do poder de Michael nasce justamente dessa combinação estranha entre imagem e ausência. Existe uma máscara que esconde qualquer humanidade reconhecível e um personagem que se recusa criminosamente a explicar o que existe por trás dela . A gente procura uma resposta. Michael oferece silêncio e outro cadáver.

Esse tipo de horror que continua trabalhando depois que a situação aparentemente terminou também aparece em O Farol e o naufrágio de dois homens em terra firme . Não existe Michael Myers naquele corredor, mas existe outra coisa que o terror adora lembrar: às vezes sobreviver ao ambiente é só a primeira parte do problema.

Talvez Michael Myers nem precise ser completamente humano, sobrenatural ou imortal para continuar funcionando.

Ele só precisa deixar gente viva.

Gente suficiente para lembrar. Gente suficiente para ter medo. Gente suficiente para passar esse medo adiante.

Michael Myers pode trocar de ator, máscara, parentesco e timeline. A conta da terapia continua chegando no mesmo endereço.

Agora é com Haddonfield

Qual filme deixou o pior rastro de Michael Myers?

Discordou do primeiro lugar? Excelente. Quero saber qual filme deveria levar o troféu de calamidade pública e qual posição deste ranking fez você pensar que o Terror Chiclete perdeu completamente a noção. A discussão está liberada. Só tenta resolver nos comentários em vez de formar uma multidão no hospital.

Michael já cuidou da parte violenta
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